Celebrate!: dois shows de Madonna finalmente confirmados no Brasil

Por Anna Paula Vencato

Boa notícia para quem esperava desde 1993 que a cantora Madonna voltasse aos palcos brasileiros. Finalmente o madonna.com confirmou dois shows no Brasil da nova turnê da cantora: Sticky & Sweet Tour. Os ingressos só estarão disponíveis para a venda no site da Tickets For Fun, bilheterias oficiais e call centers a partir dos primeiros dias de setembro. É possível fazer cadastro antecipado no site da empresa, de 20 a 29 de agosto, para facilitar a compra quando a venda começar. De qualquer modo, o pré-cadastro não significa preferência na hora de comprar de fato os ingressos. A venda está limitada a seis ingressos por CPF e os preços variam de 160 a 600 reais. De acordo com a T4F, haverá venda de meia entrada também pela internet.

MADONNA - RIO DE JANEIRO
Onde: Estádio do Maracanã
Quando: 14 de dezembro, 20h
Quanto: R$ 180 (arquibancada), R$ 220 (cadeiras laterais), R$ 250 (cadeiras centrais e pista), R$ 300 (arquibancada central) e R$ 600 (pista vip)
Início da venda de ingressos: 1º de setembro

MADONNA - SÃO PAULO
Onde: Estádio do Morumbi
Quando: 18 de dezembro, 20h
Quanto: R$ 160 (arquibancada laranja), R$ 180 (arquibancada vermelha e azul), R$ 250 (cadeiras inferiores e pista), R$ 300 (cadeiras superiores) e R$ 600 (pista vip)
Início da venda de ingressos: 3 de setembro

[fonte: Folhaonline, do Madonna.com e do Tickets For Fun]

Spoken word: Rukeyser Plath Rilke Rosa Thomas Marcondes

Por Gab Marcondes

Spoken word colocando no liquidificador Muriel Rukeyser, Sylvia Plath, Rainer Maria Rilke, Guimarães Rosa e Dylan Thomas resultando no frapê poético abaixo.

I have been waiting all day,
with my fantasy alone
e nunca parava de ser tarde
eu tinha pressa de um final
It would have been better than this
or perhaps longer.
I would have liked to try those wings myself.

Chove dentro dos meus olhos

I have been waiting all day, or perhaps longer.
I would have liked to try those wings myself.
It would have been better than this

The lovers be lost love shall not

Vozes:  Muriel Rukeyser, Sylvia Plath, Gabriela Marcondes e Dylan Thomas
Musica e programação: Gab Marcondes

Ícarus

 
icon for podpress  ícarus [3:23m]: Play Now | Play in Popup

Reinventando a si mesma: os 50 anos de Madonna

Por Anna Paula Vencato

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Acredite se quiser, Madonna completou 50 anos! Louise Veronica Ciccone Ritchie nasceu em 16 de agosto de 1958 em Bay City (Michigan). Cresceu em Detroit, em uma família católica e conservadora. Sua mãe morreu de câncer quando ela tinha apenas cinco anos, e a partir de então morou com o pai e os irmãos. Mudou-se para Nova Iorque aos 18 anos onde, depois de passar por períodos difíceis, conseguiu finalmente se lançar como cantora em 1983, quando o single Everybody estourou nos clubes locais.

Também em 1983 ela lança o primeiro álbum de uma discografia extensa, na ocasião chamado Madonna e mais tarde renomeado como The first album. Mas, para além de uma listinha de filmes, discos, livros e turnês ao final deste texto, não vou me alongar neste tópico. Até porque, não dá para falar em Madonna sem mencionar suas outras e várias facetas: dançarina, atriz, empresária, escritora, compositora, mãe, religiosa, produtora, etc. E, evidentemente, não dá para falar de Madonna sem dizer a palavra polêmica.

Sem pisar nos palcos brasileiros desde 1993, com seu The Girlie Show, diz a lenda que nesta nova turnê, Sticky & Sweet Tour, Madonna passará por aqui novamente. Há boatos de que dois shows estão confirmados no Maracanã nos dias 13 e 14 de dezembro próximos e que estão em negociação outros três shows, no Morumbi, nos dias 17, 18 e 19 de dezembro. De qualquer modo, nenhuma das datas e locais estão confirmados no site oficial da cantora.  O jeito é torcer para que, dessa vez, os boatos se consolidem.

Madonna sempre se colocou como alguém que defende valores não-conservadores dentro do campo da sexualidade, da religião e da política. Posicionou-se contra a guerra, a discriminação racial e a homofobia. De beijo em santo católico dentro de uma igreja, beijos em mulheres, relacionamentos heterocrômicos, performances sado-masoquistas, casando, separando, tendo ou adotando filhos, ela sempre conseguiu chamar a atenção dos mais e menos simpáticos a suas peripécias.

Algumas de suas atitudes, consideradas polêmicas no passado, talvez hoje não passassem de coisas corriqueiras. O fato é que, especialmente pelo tom fetichista ou ousado com que Madonna coloriu diversas de suas obras e ações, tanto em sua carreira como em vida, ela conseguiu fama, notoriedade, fãs e, evidentemente, olhares tortos. O fato é que ela consegue ser uma das melhores empresárias de auto-marketing do mundo. E há bastante tempo. Graças a sua capacidade de reinventar a si mesma, Madonna conseguiu durar mais sob os holofotes do que qualquer outra super-celebridade de sua geração. Arrisco dizer que de várias outras gerações também. E ela certamente merece aplausos por isso. Além dos parabéns pelo aniversário, evidentemente.

Discografia resumida:

Álbuns:

1983 Madonna
1984 Like A Virgin
1986 True Blue
1989 Like a Prayer
1992 Erotica
1994 Bedtime Stories
1998 Ray of Light
2000 Music
2003 American Life
2005 Confessions on a Dance Floor
2006 I’m Going to Tell You a Secret
2007 The Confessions Tour
2008 Hard Candy

Compilações:

1987 You Can Dance
1990 The Immaculate Collection
1995 Something To Remember
2001 GHV2
2003 Remixed and Revisited EP

Trilhas sonoras:

Who’s That Girl (1987), I’m Breathless (1990), Evita (1996), The Next Best Thing (2000)

Turnês:

1984 The Virgin Tour
1987 Who’s That Girl World Tour
1990 Blond Ambition World Tour
1993 The Girlie Show
2001 Drowned World Tour
2004 Re-Invention Tour
2006 The Confessions Tour
2008 Sticky & Sweet Tour

Filmografia:

1979 A Certain Sacrifice
1985 Em Busca da Vitória
1985 Procura-se Susan Desesperadamente
1986 Surpresa em Shanghai
1987 Quem é Essa Garota?
1989 Doce Inocência
1990 Dick Tracy
1991 Na Cama Com Madonna
1992 Sombras e Neblinas
1992 Uma Equipe Muito Especial
1993 Corpo em Evidência
1993 Olhos de Serpente
1995 Grande Hotel
1995 Sem Fôlego
1996 Evita
1996 Garota 6
2000 Sobrou Pra Você
2002 007: Um Novo Dia Para Morrer
2002 Destino Insólito
2006 I’m Going to Tell You a Secret
2007 Arthur e os Minimoys

Livros Infantis:

As Rosas Inglesas; As Maçãs do Sr. Peabody; Yakov e os Sete Ladrões; As Aventuras de Abdi; Enrico de Prata.

O que você sabe sobre a música indiana? - Parte 1

Por Marcus Wolff

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Como compreender a música e as artes na Índia sem considerar suas diferentes matrizes culturais e o choque entre seus povos formadores (drávidas e indo-europeus invasores) e os fatos históricos decorrentes de um processo de dominação cujas marcas estão ainda tão presentes na sociedade e na cultura, a despeito dos esforços de grandes líderes como Mahatma Gandhi, Sri Aurobindo e do próprio escritor compositor e poeta Tagore para criarem uma nova nação livre de tais amarras?

A chegada dos povos arianos ao subcontinente indiano por volta de 1500 a.C. (alguns afirmam 2000 a.C.) transformou completamente a vida social, política e cultural dessa vasta área da Ásia do sul. Impondo sua cultura aos povos dominados, os arianos (considerados indo-europeus) deram início a um processo de sanscritização do subcontinente que envolveu não apenas a filosofia, a língua, a literatura e a religião como também todas as artes. Cumpre destacar que do choque cultural entre esses povos nasceu uma cultura híbrida, que procurou compatibilizar elementos muitas vezes díspares ou ao menos heterogêneos. Todavia, mitos narrando os conflitos entre os deuses revelam o que o poeta e compositor R. Tagore (1861- 1941) percebeu como sendo indícios da tendência dos arianos a manter seu isolamento, alegando sua superioridade também no plano cultural.

No plano social, o sistema de castas pode ser observado como sendo um outro modo através do qual os arianos manifestaram seu desejo de separação, ocupando assim as posições privilegiadas num sistema de exclusão social que conseguiu manter os povos dominados segregados nas castas subalternas até o séc. XX e mesmo após a criação de um Estado indiano independente.

Como compreender a música indiana sem levar em conta a continuidade entre o presente e o passado na cultura e na vida social indiana? Bonnie C. Wade (Music in India: the Classical Traditions. Delhi, 1994) observou que em termos indianos não há lacunas, mas continuidade. O valor atribuído ao passado védico ou aos mitos religiosos transparece quando alguns musicólogos indianos, além dos professores de música, reiteram ainda hoje as origens divinas da música e buscam as bases da teoria musical atual em tratados tão antigos quanto o Natya Shastra atribuído ao sábio Bharata (escrito em algum momento impreciso entre os séculos II a. C e VI d. C.) mesmo quando a prática musical atual já não segue a antiga teoria musical da Antiguidade.

A resistência à mudança cultural e até mesmo ao reconhecimento das rupturas existentes ao longo da história parece ser um traço ainda forte na Índia, que somente no final do séc. XX começou a dar sinais de que o processo de modernização atingiu sua fase final. É bom lembrar que o processo de modernização da Índia, iniciado na década de 1820-30, esbarrou num campo de soberania próprio que o movimento nacionalista respeitou e percebeu como sendo um “domínio interno”, no qual a identidade cultural seria mantida longe do poder da metrópole. Se por um lado essa estratégia permitiu que a criação de uma cultura nacional moderna diferente da ocidental, por outro manteve certas áreas do conhecimento como a filosofia, a historiografia e a própria musicologia bem distantes do racionalismo ocidental.

* Este texto será publicado em 3 partes.

Pernambuco na veia

Por Debora Baldelli

Siba e a Fuloresta - divulgação

Quem não se sente atraído pela cultura de Pernambuco que atire a primeira pedra! Eu, uma eterna apaixonada pela região desde a primeira vez que pisei por lá, há 11 anos, dou saltos olímpicos de alegria quando escuto falar da terra da macaxeira. Ai que saudade da Noca!

E para quem é fã da cultura pernambucana como eu, vai poder se esbaldar no “Embaixada Pernambuco”, evento que acontece em Santa Teresa e que promete trazer o melhor e as maiores novidades culturais da região. Tudo acontece no Solar de Santa entre os dias 19 e 31 de agosto.

Na programação Siba e a Fuloresta, Lia de Itamaracá, Coelho Sound System, Banda Wii, Academia da Berlinda, Zé Cafofinho, Bruno Pedrosa, Junio Barreto, Roger de Renor, Vitor Araújo, Mc Opala e banda Eddie. Além de surpresas, é claro.

As artes plásticas também estarão no evento, com exposição dos artistas Thomas Baccaro, Rodrigo Cabral de Vasconcelos, Paulinho do Amparo, Marina Mendonça e Ateliê Coletivo Branco do Olho. A presença carioca fica por conta de Guga Liuzzi, Gabriela Maciel, João Luiz Soares, Marcos Dias, Gabriel Jaguaribe Giucci, Gabriel Mendes, Natali Tubenchlak, Robson, Zé Carlos Garcia, Hugo Richard, Hugo Cavalcanti e Paulo Gouveia.

Roger de Renor, o “embaixador de Recife” irá apresentar o evento. Ele é o maior agitador cultural de Recife e um dos descobridores do Mangue Beat. “Cadê Rogê? Cadê Rogê? Cadê Rogê, Ô?”. Está aqui no Rio de Janeiro, alguém avisa o Chico? Rogê sempre foi uma espécie de curador cultura de sua terra e grande propagador do melhor que se tem por lá em termos de cultural. Certamente não foi a toa que ganhou essa citação na música “Macô”. A “assinatura” de Rogê já é garantia de coisa boa.

O “Embaixada” também conta com uma biblioteca e espaço multimídia contendo  tudo de mais recente publicado sobre a arte e a cultura de Pernambuco. E…. tem mais! O evento conta com café da manhã! Aos sábados e domingos pela manhã será servido o “Café do Alto”, com delícias nordestinas. Não vai faltar aipim, tapioca e carne seca no cardápio. E tudo isso no maior clima “Olinda” que o Rio de Janeiro pode ter: Santa Teresa. Eita combinação perfeita!

Te vejo por lá!

Local: Solar de Santa
End: Rua Aprazível 39 – Santa Teresa
Site Oficial: http://www.embaixada.art.br

O inclassificável Ney Matogrosso

Por Oleno Netto

Divulgação

Algum apresentador de TV costuma dizer “quem sabe, faz ao vivo”. Provavelmente porque é assim que se pode vivenciar toda a energia do artista em voz, corpo e alma. Em seu novo show, “Inclassificáveis” (já lançado em DVD), Ney Matogrosso exibe sua excelência vocal e presença de palco que o consagraram como o maior artista pop que o Brasil já teve. Não é hitmaker, mas polêmico e performático, características raras quando se pensa em cantores brasileiros.

Parte dos espetáculos do Cabaré do FILO (Festival Internacional de Londrina) – festival de teatro que acontece anualmente no mês de Junho –, só se ouvia falar do show de Ney Matogrosso, desde que as atrações deste ano (Elza Soares, Fernanda Takai, etc) foram divulgadas. Adolescentes falavam “daquela bicha” que vinha fazer show e seus pais queriam ver. Soube de marido dizendo à esposa que o Ney era o único cara com o qual iria pra cama. Além de, claro, mulheres ensandecidas com a vinda “do cara”.

Foram duas noites de ingressos esgotados e estavam todos lá: os adolescentes; os loucos; os esposos; as mulheres; as bichas; as sapas; os velhos e as velhas. Mil e oitocentas pessoas sedentas pela  arte de Ney.

O exuberante figurino assinado por Ocimar Versolato, adorna a interpretação marcante das canções e o gestual sexual do cantor.  Um cenário sem grandes apelos tecnológicos e tudo a servir à sua performance. Acompanhado de uma banda muito competente, destaque para os vocais e carisma do guitarrista Junior Meirelles, e produzido pelo ex-integrante dos Secos e Molhados, João Mario Linhares.

Ao vivo entende-se porque Ney Matogrosso é tido como um dos maiores, se não o maior, performer brasileiro. Se hoje em dia sua figura andrógena ainda impressiona, espanta e causa admiração, dá pra se concluir que não é exagero quando se lê que os “Secos”,banda que revolucionou o conceito de espetáculo, está servindo até hoje de inspiração para artistas mundo afora. Grande parte dos créditos disso são de seu frontman, Ney Matogrosso.

Alternando sucessos da carreira solo com músicas inéditas (do CD homônimo), Ney fez justiça a sua fama e levou a platéia histérica a loucura. Já fui a muitos shows e pouquíssimas vezes vi a coisa inflamar daquele jeito. Ana Carolina quer comer a Madonna e ali todos queriam comê-lo. Com boa forma física e vocal, aos 66 anos, sem travar um único diálogo com o público, disse através de suas músicas tudo que suas palavras jamais poderiam precisar. Superou as mais altas expectativas e pôs por terra as afirmações de João Ricardo, principal compositor do Secos e Molhados, quando disse recentemente que Ney não havia feito mais nada de interessante depois da banda. Pura dor de cotovelo.

No palco, o verdadeiro habitat deste pavão misterioso, Ney Matogrosso confirmou que está além de figuras míticas da nossa cultura pop ao se colocar ativo em sua arte, sem preocupações em ser parte de um único gênero, de ser simplesmente um ícone ou uma diva. Trata-se de algo pré-qualquer-adjetivo-fugaz, uma matéria lapidada e ainda assim bruta, tão único, que só poderia ser chamado de inclassificável.

The Ting Tings - Isso não é um review

Por Willie Runte

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The Ting Ting’s é uma das novas bandas do momento na Europa, e não duvido nada que já esteja na boca de muita gente no Brasil, ou no jaba de muita rádio. “We started nothing” o primeiro disco da dupla Katie White (Guitarra e vocal) e Jules De Martino (bateria) tem algo de indie, mesmo sendo pop e é bem gostoso de ouvir. A banda de Manchester tem atingido recordes de venda e , com seu single “That’s not my name”, chegou a tirar Madonna do topo das paradas (mas isso não é muito relevante, levando em conta que o último cd da pop star da vontade de vomitar). O single é bacana, mas meio repetitivo, não a melhor música do álbum, sem dúvida. Algumas das músicas que se destacam são, “Great DJ” e “Shut up and let me go”, essas sim tem uma personalidade que, se for mantida nos próximos álbuns da banda, creio, vai torná-los grandes.

“Be the one” que abre o disco é boa e lembra um pouco Blondie, outras como “Keep your head” ou “We strated nothing”, que dá nome ao álbum, dão vontade de jogar o cd fora.

A banda faz, sim, um disco diferente, com uma batida marcada e um groove bem distinto do que se tem ouvido por ai, mas não é necessariamente revolucionário como alguns dizem. Katie e Jules tiveram muita sorte por ter tido uma de suas músicas (”Shut up and let me go”) como trilha de uma propaganda do Ipod da Apple, porque não há nada melhor pra uma banda do que ser divulgado pela empresa que mais lança tendências atualmente.

De Martino e White dizem estar a procura do Pop perfeito e pode ser que achem a fórmula um dia, mas no momento eles tem apenas um álbum razoavelmente bom com uma ou duas músicas de tirar o chapéu. Agora só precisamos esperar para ver se essa vai ser mais uma das bandas que desaparecem na mesma velocidade que surgem ou se vai ser o novo fenômeno do Pop nos próximos anos. O importante é conhecer o disco e tirar suas conclusões, afinal, isso não é um review.

Sambajazzlatinoafricano…

 Johann Sauty

De sua boca flutuam tons em diferentes línguas e cores. Seus dedos sussuram cantos africanos, sambam Jobins, fumam charutos cubanos e improvisam New Orleans. Na bagagem ela leva alguns mestres: Herbie Hancock, Pat Metheny e Stanley Clarke. Foi violinista durante dez anos, há oito trocou o agudo pelo grave, e hoje surpreende o público com seus solos de contrabaixo. Deixou seu marco na Berklee - a maior escola de música do mundo - quando, aos vinte anos, tornou-se a instrutora mais nova da história da faculdade. Baixista, cantora e compositora, faz da sua voz um instrumento que duela contra seus próprios acordes. E tudo isso numa embalagem de beleza estonteante. 

Com tanta coisa assim, é quase impossível imaginar que ela tem apenas vinte e três anos - de idade, pois acredito que de alma e experiência sejam mais ou menos uns cento e cinquenta e sete. O nome é Esperanza Spalding, o novo talento prodígio do jazz mundial.

Em janeiro de 2006 deu o ar da graça por aqui, acompanhando Roberto Fonseca (pianista cubano que ficou conhecido por se apresentar com Ibrahim Ferrer, do Buena Vista Social Club) e há pouco, Esperanza confirmou presença no Tim Festival 2008, para apresentar seu trabalho solo.

E no intuito de amenizar a espera e deixar um gostinho a mais, selecionei três músicas do disco Esperanza: Ponta de Areia, de Milton Nascimento; Samba em Prelúdio, de Baden Powell e Vinícius de Morais; e I Know You Know, de sua autoria, um rhythm and blues jazzístico com um pezinho no samba. Confuso? Bom, ouça aqui e tire suas próprias conclusões:

 
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icon for podpress  I Know You Know - Esperanza Spalding: Play Now | Play in Popup

Saiba mais sobre ela no site oficial Esperanza Spalding ou pelo Myspace.

Cat Power em filme

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A trilha sonora do filme My Blueberry Nights já tinha me conquistado. Nele redescobri Cat Power, que dá todo um clima especial ao filme. Mas confesso que, apesar de já ter escutado a cantora, nunca tinha fixado seu rosto, sendo incapaz de reconhecê-la no filme.

Pois é, Cat Power faz uma participação super especial como a ex-namorada do encantador dono do restaurante interpretado por Jude Law. Ela é a mulher que é dona das chaves, “autora” da coleção de histórias e portas não fechadas presentes naquele pote cheio delas no balcão do restaurante. Explico. No filme Jeremy (Jude Law) vive uma história de amor com Katia (Cat Power) entre as paredes do restaurante. O hábito de guardar as chaves esquecidas, teria sido iniciado por Katia, que deixou as suas quando abandou Jeremy sem dar notícias. Jeremy teria permanecido no restaurante até hoje aguardando que ela um dia retornasse para buscar suas “chaves”.

Mas voltando à cena dos dois, diria que é quase um flerte incrivelmente sedutor, digno de encontros com ex-amores marcantes na vida de qualquer pessoa, que entre cigarros, olhares fascinantes e lembranças, o personagem de Jude Law tem oportunidade de fechar um ciclo e “uma porta” da sua vida.

É, eu definitivamente adoro esse filme que, apesar de ter falhas - como a interpretação da cantora Norah Jones, que peca muito em expressão-, tem a atmosfera perfeita de sempre dos filmes de Wong Kar Wai. Aquelas cores fantásticas, que ficaram mais especiais ainda assistidas numa espreguiçadeira do cinema do shopping da Gávea… E aquele efeito de redução (ou será aumento?) dos frames (não entendo disso…), mudando um pouco a velocidade das imagens, que ficam gigantes e muito mais valorizadas assistidas dessa forma, deitada e numa tela enorme.

Mas voltando a Cat Power, recentemente lançou um disco de covers, seu segundo no estilo, chamado Jukebox. O disco anterior (autoral), de 2007, se chama The Greatest, nome também da música que toca durante a cena da participação da cantora no filme de Kar Wai.

Ela está em turnê pela Europa neste momento e, segue para o Canadá e Estados Unidos até o final do ano. Vale lembrar que Cat Power já esteve por estas bandas em 2007 no Tim Festival. A tv Uol disponibiliza um vídeo da apresentação.

+ Cat Power no site oficial ou no myspace (muito mais atualizado!).

Confira a participação da cantora no filme clicando aqui.

Take this dance - o novo videoclipe?

Por Beatriz Folly (Lado Bê)

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Por que fazer videoclipes como há 20 anos atrás se eles são vistos por pessoas e maneiras diferentes dos anos 80? É justamente isso que o projeto final do alemão Thorsten Konrad, põe em cheque. O projeto pode ser visto na íntegra no site takethisdance.com.

Levando em conta que mais da metade das pessoas que assistem videoclipe o fazem através da web e não da TV, porque não usar os infindáveis recursos que a web (2.0 particularmente) pode oferecer para fazer o clipe? Essa história é muito bem ilustrada na introdução do site. Ele não só propõe, mas executa essa idéia bárbara. Thorsten utiliza APIs do Geonames, Flickr e do Google no vídeo, mostrando informações geradas por estes sites em tempo real. Desta forma, o vídeo é sempre diferente não importa quantas vezes ele seja assistido.

Será isso um pontapé inicial para uma nova geração de videoclipe? Acredito que pessoas como ele sejam parte da razão que o programa com audiência mais alta da MTV brasileira seja o Beija Sapo.