Take this dance - o novo videoclipe?

Por Beatriz Folly (Lado Bê)

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Por que fazer videoclipes como há 20 anos atrás se eles são vistos por pessoas e maneiras diferentes dos anos 80? É justamente isso que o projeto final do alemão Thorsten Konrad, põe em cheque. O projeto pode ser visto na íntegra no site takethisdance.com.

Levando em conta que mais da metade das pessoas que assistem videoclipe o fazem através da web e não da TV, porque não usar os infindáveis recursos que a web (2.0 particularmente) pode oferecer para fazer o clipe? Essa história é muito bem ilustrada na introdução do site. Ele não só propõe, mas executa essa idéia bárbara. Thorsten utiliza APIs do Geonames, Flickr e do Google no vídeo, mostrando informações geradas por estes sites em tempo real. Desta forma, o vídeo é sempre diferente não importa quantas vezes ele seja assistido.

Será isso um pontapé inicial para uma nova geração de videoclipe? Acredito que pessoas como ele sejam parte da razão que o programa com audiência mais alta da MTV brasileira seja o Beija Sapo.

Wonderful Electric: Goldfrapp

Por João Francisco

Seu cabelo louro cacheado balança sob o lenço verde. Ela está suando. O público continua em transe. Ecoam as primeiras notas (ou distorções) de “Strict Machine”. Alison Goldfrapp está no palco acompanhada do parceiro Will Gregory, e mais alguns músicos e backing vocals. O duo inglês acumula fãs e conquista elogios a cada nova reinvenção.

É isto mesmo que suas músicas provocam: elas se distanciam dos corpos como no trip hop, plugam os sentidos pela influência disco, arranham-nos pelas guitarras rock que pontuam os sintetizadores eletrônicos. Tudo parece sair de uma espécie de toque de midas glitter, um tanto “esotérico”. Alison Goldfrapp (o nome vem daí) não foge dos agudos nos vocais, sempre com elegância, mistério e, sim, vontade de seduzir. Goldfrapp é uma destas bandas cujas músicas constroem atmosferas: por vezes soturnas, em outras iluminadas por um néon retrô azul. Suas canções transbordam referências como Blondie, Depeche Mode, Portishead, mas foram sinceramente reinventadas. Leia mais…

Indietronica e a cena alemã

Por Inês Nin

Bateu na porta sem ser convidada. A primeira banda que eu ouvi de indietronica foi The Notwist, com seus beats delicados, melodias fáceis mas nada óbvias e um disco irresistivelmente doce, pop e criativo. Me ganharam de cara, os irmãos Acher e seu Neon Golden. Situada em uma deliciosa interseção entre o rock e a eletrônica, a descoberta me fez querer ouvir mais.

É claro que misturar rock com eletrônica não é novidade. Desde as bandas oitentistas como Joy Division/New Order e Depeche Mode, até o novo rock de hoje (fortemente influenciado pelas primeiras), a combinação persiste feliz, multiplicando os horizontes das bandas e projetos que a adotam. Filhas bastardas da eletrônica das pistas são as bastante populares hoje Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, Maximo Park e todas as similares que aqui seguem, oriundas da fervilhante cena do Reino Unido, passando pelo fantástico LCD Soundsystem, Liars, !!! e outros, norte-americanos, que seguem por um caminho dançante porém experimental. Estas resultam em um som inquieto, explosivo, fortemente influenciado pelo punk. Leia mais…

Hipersônica: escutas e dispositivos coletivos multimidiáticos

Por Giuliano Obici

O Hipersônica, versão audiovisual em tempo real do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica) que aconteceu no dias 5 e 6 de Novembro de 2005 em São Paulo propiciou uma experiência singular de imersão sonora e imagética. O evento reuniu na Casa das Caldeiras sete espaços de performance operados simultaneamente durante quase 12 horas ininterruptas.

Longe de ser comparado as tradicionais festas urbanas ou mostras de arte o Hipersônica se configurou em um ambiente multimidiático composto por aparatos tecnológicos onde a linguagem eletrônica se fez presente. Um possível presságio do que possa vir a se tornar os ambientes das festas, pubs, boates, teatros e galerias num futuro breve.

Passado algum tempo do evento em São Paulo, perguntas ainda ecoam a respeito do que representa à escuta uma mostra como o Hipersônica. Que lugar de escuta ele propicia? O que os meios eletrônicos possibilitam à percepção auditiva? Que tipo de implicação coletiva se produz? Tais perguntas podem não fazer sentido para alguns, no entanto, possibilitam pensar sobre o lugar que a percepção auditiva ocupa nos ambientes em que a tecnologia é utilizada com maior vigor. Leia mais…

VJs: onde tudo começou

Por Tomas Seferin

A sincronia áudio-vídeo não é tão recente quanto alguns possam pensar. A história do videoclipe se entrelaça com a do cinema e a da animação.

O conceito da música acompanhada de imagens existe desde os anos 30. Oskar Fischinger e Norman McLaren juntavam música com imagem por meio de técnicas primitivas de stop-motion ou simplesmente riscando a película, com resultados ultrafuturistas, comparáveis com o que é produzido hoje em dia. Ambos trabalhavam em colaboração com compositores clássicos e jazzistas como Oscar Peterson, criando um produto bissensorial. Além de serem os pais da animação sincronizada, foram criadores de várias outras técnicas de animação. Leia mais…

Vida Eletrônica

Por João Francisco

Algo chama atenção na publicidade espalhada pela rua. Lembra da campanha do MC Donald’s “Amo muito tudo isso?” Trazia a foto de uns sujeitos soltos, flutuando como se estivessem numa órbita desfigurada, sem chão. Engraçado que o MC Donald’s, conhecido por seus hambúrgueres gordurosos (heavy) investisse numa imagem assim tão… leve. E essa propaganda mais recente do Nokia Trends? Quem é do Rio ou SP, viu. Exibia pessoas dançando com aquela “aura” deslocando do corpo, aludindo ao movimento e à vibração. Parecia fazer referência ao modo como estamos existindo por aí em nossas vidas mesmo. De certo modo um pouco fora de nossos corpos. Meio “desmaterializados”. Idéia estranha? Mas não é esquisito pensar que agora ocupamos - além do surrado 3×4 na carteira de identidade, um lugar ao sol (melhor dizendo, ao elétron) em orkuts, fotologs, blogs, msn, sites, páginas e páginas com links para outras páginas. Pilhas e pilhas de arquivos digitais acessados em celulares que produzem fotos, que gravam cenas, que transportam mais arquivos para outras páginas - com o nosso link, com o nosso nome, com a nossa cara. Não te parece excitante? Não te parece comum? Leia mais…

Música Concreta e Cinema

Por Alexandre Brautigam

Acho que, acima de tudo, os sons desse mundo são tão belos em si mesmos que, se aprendessemos a ouvi-los adequadamente, o cinema não teria a menor necessidade de música.
(Tarkovsky, no livro “Esculpindo o tempo”)

Uma provocação. Ou talvez um alento, um dedo apontado para estilos musicais criados já há décadas atrás, mas que permanecem, para a grande maioria das pessoas, ainda hoje, desconhecidos – como se tem tornado freqüente, quando se fala da música contemporânea. Leia mais…



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