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	<title>Cafetina Eletroacústica &#187; literatura</title>
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	<description>música, cinema, poesia, imagem, literatura e as mais variadas interlocuções...</description>
	<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 15:15:07 +0000</pubDate>
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		<title>Imagine: crescendo com meu irmão John Lennon</title>
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		<description><![CDATA[Julia Baird escreve uma segunda biografia sobre seu irmão e ídolo de uma das maiores bandas do planeta:Beatles. No livro, ela promete revelar segredos de família e contar detalhadamente como foi o desenvolvimento emocional e familiar de John. A relação com a mãe é contada em detalhes e promete revelar a conturbada infância de John [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cafetinaeletroacustica.com/wp-content/uploads/2009/01/imagine.gif"><img class="alignright size-medium wp-image-380" title="imagine" src="http://www.cafetinaeletroacustica.com/wp-content/uploads/2009/01/imagine.gif" alt="" /></a>Julia Baird escreve uma segunda biografia sobre seu irmão e ídolo de uma das maiores bandas do planeta:Beatles. No livro, ela promete revelar segredos de família e contar detalhadamente como foi o desenvolvimento emocional e familiar de John. A relação com a mãe é contada em detalhes e promete revelar a conturbada infância de John e seus irmãos. Outros assuntos delicados, como a intensa relação do irmão com Yoko, também são retratadas no livro. Julie desabafa todas as interferências e dificuldades que teve de relacionamento e comunicação com a entrada da cunhada em cena. Mas o gênio difícil de Yoko não é nenhuma novidade, né? O que o livro promete revelar de mais bacana também, são detalhes do início dos Beatles através de uma narrativa interessante de alguém muito próximo e com muita intimidade com a banda. Algum Beatlemaníaco por aí?! =)</p>
<p><strong>Imagine - crescendo com meu irmão John Lennon<br />
Julia Baird - Ed. Globo</strong></p>
<p>Leia um trecho do livro <a href="http://globolivros.globo.com/downloads/pdf/imagine.pdf" target="_blank"><strong>clicando aqui</strong></a>.</p>
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		<title>Lo.li.ta.</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2005 13:41:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Hazel
“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama.” Esta é a primeira imagem de uma paixão que reconhece a própria ruína. Poucos literatos conseguiram expressar em uma primeira linha as mais de 300 páginas de desvarios e arrebatamentos que é a leitura deste clássico. O livro “Lolita” (1955), de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Hazel</strong></p>
<p>“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama.” Esta é a primeira imagem de uma paixão que reconhece a própria ruína. Poucos literatos conseguiram expressar em uma primeira linha as mais de 300 páginas de desvarios e arrebatamentos que é a leitura deste clássico. O livro “Lolita” (1955), de Vladimir Nabokov, é repleto de impressões sensoriais e de imagens dinâmicas. “Lolita” trata do pérfido, porém carismático, pedófilo Humbert Humbert e sua missão de propagação do amor livre entre adultos solitários e adolescentes fogosas. Nada que homens em crise de meia-idade não procurem nos serões que fazem nos happy-hours. Há um quê de afronta em dizer que se gosta deste livro por receio de que nos confundam com um adepto das picardias pouco ortodoxas narradas em seus 69 capítulos.<span id="more-5"></span></p>
<p>Não há, creio ser necessário explicar-me, qualquer insinuação de que a pedofilia seja defensável. As “lolitas” são objeto do imaginário de adultos que favorecem a precoce erotização de crianças no intuito de tornarem-nas a proverbial Dolores Haze do livro. Muitos destes adultos, a meu ver tão senis e problemáticos quanto o aviltante protagonista do livro a que me refiro nestas mal-traçadas, estão nos núcleos mais bem aceitos desta sociedade, produzindo e banalizando o sexo.</p>
<p>Desviei-me do assunto por alguns instantes porque não quero que sejam mal-interpretadas as opiniões que emitirei. A literatura coloca-nos em contato com sentimentos e impressões únicas e bons escritores são capazes de dispor de imagens tão fortes e tácteis quanto uma boa música. Fui capaz de ouvir, durante a leitura, a voz de Humbert narrando cada uma das linhas em que declara sua dodói paixão por Lolita. Despido de qualquer juízo moral, é de beleza rara a história que conta desde suas aventuras adolescentes à patológica paixão que eclode em uma viagem pelos Estados Unidos da década de 1940, no pós-guerra.</p>
<p>A vertigem desta empreitada, no entanto, não teve acompanhamento de bebop, doowop ou hard bop, de Ray Coniff ou Muddy Waters, mas de uma banda pouco conhecida chamada Section 25. Tive contato com esta banda ao procurar material antigo sobre o Joy Division. O Section 25 tem uma presença forte em seu experimentalismo com sintetizadores, letras rápidas e intensas, além de muita criatividade.</p>
<p>Formada pelos irmãos Lawrence e Vincent Cassidy, na cidade de Blackpool, na Inglaterra, nos idos de 1978, sobreviveu à profusão de artistas surgidos sob o selo da Factory Records e foi um dos precursores do acid house e do electro. Sua força na música eletrônica advém da energia de uma banda inicialmente de punk rock e das influências de Joy Division e Orchestral Manoeuvres in the Dark, bandas também da Factory, além de igualmente iniciantes naquela época.</p>
<p>Cada imagem do livro parece tomar o ritmo diversificado de Section 25. A banda deve o nome a uma cláusula de um ato médico, denominado Ato de Saúde Mental, o que já implica, por si só, em algumas conexões com o livro. A cláusula (ou seção) 25 deste ato trata, justamente, de questões relativas à guarda e à alta de pacientes com problemas mentais.</p>
<p>A leitura tomou o gingar de Section 25, principalmente, na Parte II, quando Humbert inicia uma longa viagem de carro pelas paisagens dos Estados Unidos, acompanhado de Lolita em motéis selecionados pelos guias turísticos do Automóvel Clube. As confusas exortações de Humbert descrevem, diversas vezes, entre as montanhas e a garota no banco do carona, o medo de perdê-la, justificando cada falha de seu caráter na penitência de um amor que julgava límpido:</p>
<p>“Minha chère Dolores! Só quero te proteger de todas essas coisas pavorosas que acontecem com as meninas nas garagens e nos becos, e também, comme vous le savez trop bien, ma gentille, nos bosques mais floridos em pleno verão. (…) Não sou um criminoso sexual, um psicopata que pratica atos indecentes com alguma criança (…) Sou o teu papai, Lô, teu velho pai.”</p>
<p>A reatividade de seus porquês circunscreve a letra da música “Loose Talk”, do álbum Always Now (1981):</p>
<p>“Sentimento é sempre uma prova para mim<br />
Embora obscureça minha visão da realidade<br />
Não me interprete mal<br />
Meu coração é afetuoso e sentimentos reais não podem ser retirados<br />
Ignorados ou dominados<br />
Porque eles tocam as raízes da sua vida”</p>
<p>O final de Lolita pouco tem de apoteótico como as descrições da viagem, dos amores fantasiosos de Humbert. Somente na presença de Lolita, ele é vivo. Sua empáfia é ridícula, seus modos, grosseiros. Como dissera no início, o protagonista é pérfido, vil e egoísta. Seu carisma é realizado somente pela beleza que via em sua pequena Lolita:</p>
<p>“A menos que me seja provado – a mim como sou agora, hoje, com meu coração, minha barba e minha podridão – (…) que uma menina americana chamada Dolores Haze tenha sido privada de sua infância por um maníaco (…) não vejo nenhuma cura para minha desgraça senão o paliativo melancólico, e de efeito muito local, da arte articulada.”</p>
<p>O desespero de Humbert, próximo ao final, não o exime do caráter pervertido, mas mata-lhe aos poucos, sustentando, como prova inequívoca de sua culpa, uma simples busca pela felicidade condicionada pela romantização de Lolita. Assim como todos que partilhamos da dimensão humana, busca no faz-de-conta o que a ilusão de seus erros não o deixou ver. E não há no amor por Lolita um único ressentimento. O tempo em que passa sem ela, após perdê-la para estradas desconhecidas, reduz-lhe à dimensão de um homem de reputação questionável e de modos rudes, como se a voz suave de Jenny Ross em “Looking from a Hilltop”, do álbum From the Hip (1984), fosse a voz de Lolita na mente de Humbert:</p>
<p>“Não tente entender o meu medo<br />
Não faça isso comigo<br />
Em algum lugar<br />
Olhando do topo de uma colina<br />
Onde está você lá embaixo?<br />
Olhando do topo de uma colina<br />
Onde está você por aí?”</p>
<p>O final de Lolita é, como já era de se esperar, dada a explicação do Prelúdio, terminada no sangue de uma intriga entre Humbert e um raptor de sua menina inconseqüente, na solidão da prisão e em seu capitular. O livro termina com a impressão de que a mais forte virtude de Nabokov foi não poupar de detalhes sórdidos o testemunho de sua personagem. “Lolita” é um livro táctil, de fulgurosa decadência, porque o toque, por mais que esteja aveludado pelas patológicas justificativas de Humbert, é sempre maculado. Section 25 estabelece a sonoridade delirante, com loops e letras rascantes, desta viagem ao âmago do desejo humano.</p>
<p>Mais Vladimir Nabokov<br />
<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Nabokov">http://en.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Nabokov</a><br />
Mais Section 25<br />
<a href="http://www.section25.com/">http://www.section25.com/</a></p>
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