Spoken word: Rukeyser Plath Rilke Rosa Thomas Marcondes

Por Gab Marcondes

Spoken world colocando no liquidificador Muriel Rukeyser, Sylvia Plath, Rainer Maria Rilke, Guimarães Rosa e Dylan Thomas resultando no frapê poético abaixo.

I have been waiting all day,
with my fantasy alone
e nunca parava de ser tarde
eu tinha pressa de um final
It would have been better than this
or perhaps longer.
I would have liked to try those wings myself.

Chove dentro dos meus olhos

I have been waiting all day, or perhaps longer.
I would have liked to try those wings myself.
It would have been better than this

The lovers be lost love shall not

Vozes:  Muriel Rukeyser, Sylvia Plath, Gabriela Marcondes e Dylan Thomas
Musica e programação: Gab Marcondes

Ícarus

Brian Eno - Music for Airports (Stylus Magazine)

Por Dave McGonigle
Tradução: Antonio Marcos Pereira

Nota do Tradutor: A Stylus Magazine tem uma coluna chamada “Second Thought” na qual são veiculadas revisitações de discos e projetos musicais mais antigos - um pouco no estilo da coluna “Discoteca Básica” da primeira encarnação da Revista Bizz, que serviu de orientação para muitas pessoas de minha geração. A atitude presente nos artigos da Second Thought, entretanto, é um pouco mais interessante do que a idéia puramente didática de que o material apresentado é indispensável: o eixo da seleção é reapresentar trabalhos que, julga-se, foram beneficiados pela passagem do tempo, e oferecer recursos para sua fruição hoje. Como parte de meus interesses em ambient (que já resultaram inclusive na tradução, publicada aqui no Cafetina Eletroacústica, de um texto seminal de Eno sobre o assunto), me deparei há algum tempo com esse texto de Dave McGonigle no qual ele oferece um mosaico compacto, rico e bem humorado de uma possível genealogia para o que creio serem algumas das questões mais interessantes ligadas à produção e à curtição de música hoje. De Satie a Eno, passando por Cage e mais uns tantos que foram omitidos aqui, o século XX parece ter tratado de maneira generosa a fronteira problemática entre som e ruído, entre música e não-música. Os mais dogmáticos, como de praxe, vão preferir fazer uso de uma ontologia rígida para “música” e bater o martelo do juízo final. Os que gostam de conversar - entre os quais me incluo - poderão ler o texto a seguir e dizer, como Satie ao ouvir o som da colherinha caindo, “Hmmm… Interessante…”. Boa leitura! Leia mais…

O disco solo de Thom Yorke

thom.jpgdivulgação Thom Yorke falou pela primeira vez sobre seu esperado trabalho solo, ‘The Eraser’, feito com o produtor longa data do Radiohead, Nigel Godrich, a ser lançado dia 11 de Julho pelo selo independente XL Recordings. Radiohead não tocará o material de Yorke ao vivo, mas a banda está tocando sete novas músicas a cada show, todas escritas durante o ano passado, num estúdio da banda em Oxford, para o próximo álbum. Ele disse à revista Rolling Stone que ‘The Eraser’ foi feito com “material que eu faço quando estou entediado. Eu queria trabalhar sozinho. Eu apenas queria ver como seria fazer isso”. Leia mais…

Conexões entre rock progressivo e a m.e.*

Por Debb

Em 1967, junto da onda do movimento hippie, surgiu um novo espírito de experimentação no rock, que tinha como proposta a quebra da fórmula da música pop. A influência do R&B, que dominou a música dos Beatles e dos Rolling Stones começou a ser abandonada em favor de estruturas mais abertas, emprestadas de formas mais livres do jazz.

Na Inglaterra podemos destacar a banda Pink Floyd, que não somente foi pioneira de uma nova proposta sonora experimental, mas também por terem dado partida numa série de eventos multimídias e happenings que transformaram suas apresentações em algo fora do padrão esperado de um show de rock para a época.

A revolução hippie e a notoriedade em torno dos happenings logo se espalharam dos EUA e Inglaterra para o resto da Europa, carregando bem mais idéias desafiadoras do que somente a música alta e estridente do rock. Leia mais…

Wonderful Electric: Goldfrapp

Por João Francisco

Seu cabelo louro cacheado balança sob o lenço verde. Ela está suando. O público continua em transe. Ecoam as primeiras notas (ou distorções) de “Strict Machine”. Alison Goldfrapp está no palco acompanhada do parceiro Will Gregory, e mais alguns músicos e backing vocals. O duo inglês acumula fãs e conquista elogios a cada nova reinvenção.

É isto mesmo que suas músicas provocam: elas se distanciam dos corpos como no trip hop, plugam os sentidos pela influência disco, arranham-nos pelas guitarras rock que pontuam os sintetizadores eletrônicos. Tudo parece sair de uma espécie de toque de midas glitter, um tanto “esotérico”. Alison Goldfrapp (o nome vem daí) não foge dos agudos nos vocais, sempre com elegância, mistério e, sim, vontade de seduzir. Goldfrapp é uma destas bandas cujas músicas constroem atmosferas: por vezes soturnas, em outras iluminadas por um néon retrô azul. Suas canções transbordam referências como Blondie, Depeche Mode, Portishead, mas foram sinceramente reinventadas. Leia mais…

Are you sampled?

Por Adriana Prates
Tenho mania de jogar coisas fora mas ainda lembro do flyer (nessa época chamava como ?), bem parecido com um cartão postal, anunciando a primeira apresentação pós Blitz da Fernanda Abreu em Salvador. O ano ? 1989. Ela estava para lançar “Sla Radical Dance Disco Club”, seu primeiro disco solo, e eu fui conferir o show. Vestindo uma roupa preta de vinil, a Fernanda arrebentou: fez um show super dançante e cheio de idéias originais, apesar das abundantes citações do passado, especialmente do Funk e da Disco Music. Na época “Sla Radical Dance Disco Club” representou para mim a existência de possibilidades musicais diferentes e desde então venho acompanhando o trabalho desta artista que, ao meu ver, constitui uma referência na história da Dance Music brasileira. Leia mais…

Indietronica e a cena alemã

Por Inês Nin

Bateu na porta sem ser convidada. A primeira banda que eu ouvi de indietronica foi The Notwist, com seus beats delicados, melodias fáceis mas nada óbvias e um disco irresistivelmente doce, pop e criativo. Me ganharam de cara, os irmãos Acher e seu Neon Golden. Situada em uma deliciosa interseção entre o rock e a eletrônica, a descoberta me fez querer ouvir mais.

É claro que misturar rock com eletrônica não é novidade. Desde as bandas oitentistas como Joy Division/New Order e Depeche Mode, até o novo rock de hoje (fortemente influenciado pelas primeiras), a combinação persiste feliz, multiplicando os horizontes das bandas e projetos que a adotam. Filhas bastardas da eletrônica das pistas são as bastante populares hoje Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, Maximo Park e todas as similares que aqui seguem, oriundas da fervilhante cena do Reino Unido, passando pelo fantástico LCD Soundsystem, Liars, !!! e outros, norte-americanos, que seguem por um caminho dançante porém experimental. Estas resultam em um som inquieto, explosivo, fortemente influenciado pelo punk. Leia mais…

Música Ambient por Brian Eno

Por Antônio Marcos Pereira (tradução e comentários)

Eno, além de compor e produzir, vem ao longo dos anos sustentando um discurso muito consistente sobre seu exercício criativo e sobre as relações entre sua produção como artista e a cultura contemporânea. Esse texto é um exemplo desse tipo de trabalho, e nos oferece a oportunidade de ver como o autor se posiciona a respeito da “rica floresta de música” que é o estilo ambient. O texto original está na coletânea A Year with Swollen Appendices (Londres: Faber & Faber, 1996, p.293-297), livro que reproduz o diário escrito por Eno no ano de 1995 e traz, como apêndices, cartas, palestras, esboços ficcionais e discussões de procedimentos da arte e da crítica escritos por Eno entre os anos 80 e 90. Como há uma distinção relevante no texto entre a noção de “música ambiente” – que Eno toma como sinônimo de “Muzak” – e a proposta de uma alternativa – que Eno intitula “Ambient Music”, decidi manter o termo em Inglês, Ambient. Afinal de contas, esse termo já está estabelecido no uso corrente dos apreciadores, e designa uma abordagem estilística e um nicho de consumo bastante precisos (já ouvi duas pessoas conversando assim: “Que tipo de música essa cara toca?”, “Ah, ele toca ambient, lounge, dub, essas coisas”). O que se produz hoje sob o rótulo de Ambient certamente expande, modifica e questiona algumas idéias presentes no “manifesto” de Eno; um mapeamento das condições de surgimento e das transformações desse tipo de abordagem na produção musical contemporânea foi feito com muito detalhe e cuidado por Mark Prendergast em seu The Ambient Century: From Mahler to Trance, the evolution of sound in the electronic age (New York: Bloomsbury, 2001) – livro que, apropriadamente, traz um prefácio escrito por Brian Eno. Leia mais…

Hipersônica: escutas e dispositivos coletivos multimidiáticos

Por Giuliano Obici

O Hipersônica, versão audiovisual em tempo real do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica) que aconteceu no dias 5 e 6 de Novembro de 2005 em São Paulo propiciou uma experiência singular de imersão sonora e imagética. O evento reuniu na Casa das Caldeiras sete espaços de performance operados simultaneamente durante quase 12 horas ininterruptas.

Longe de ser comparado as tradicionais festas urbanas ou mostras de arte o Hipersônica se configurou em um ambiente multimidiático composto por aparatos tecnológicos onde a linguagem eletrônica se fez presente. Um possível presságio do que possa vir a se tornar os ambientes das festas, pubs, boates, teatros e galerias num futuro breve.

Passado algum tempo do evento em São Paulo, perguntas ainda ecoam a respeito do que representa à escuta uma mostra como o Hipersônica. Que lugar de escuta ele propicia? O que os meios eletrônicos possibilitam à percepção auditiva? Que tipo de implicação coletiva se produz? Tais perguntas podem não fazer sentido para alguns, no entanto, possibilitam pensar sobre o lugar que a percepção auditiva ocupa nos ambientes em que a tecnologia é utilizada com maior vigor. Leia mais…

Mother Fuckers continuam legais

Por João Francisco

Em seu braço está tatuada a palavra Exhale, que em inglês quer dizer exalar, emitir, ou mesmo sussurrar. A produtora, DJ e cantora Francesa Miss Kittin aportará no Brasil para uma breve apresentação no Rio, onde já esteve antes em memoráveis performances que confirmaram a “febre electro” entre 2001 e 2004 no balneário carioca. Toca Ainda dia 24 em São Paulo e 25 em Franca (SP). Passado o impacto inicial causado pela voz anasalada no cenário das pistas em todo o mundo e pela consagração ao lado de produtores e DJs (com destaque para os imbatíveis primeiros singles com Felix Dahousecat) resta-nos questionar se haverá ainda frisson para a diva no não tão conhecido Sky Lounge, que fica na Lagoa. A escolha do espaço e a produção do evento tentam recriar o clima “V.I.P Area” tão celebrado por Kittin e, por que não dizer, por seus admiradores também. É que o povinho electro (há quem sustente que o termo já caiu em desuso) curte ser exclusivo. Adoram o glamour do mundinho fashion e evocam um clima de sarcasmo e tédio com direito a posturas neo-agressivas/existencialistas. Ou qualquer coisa. Leia mais…



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