Por Antônio Marcos Pereira (tradução e comentários)
Eno, além de compor e produzir, vem ao longo dos anos sustentando um discurso muito consistente sobre seu exercício criativo e sobre as relações entre sua produção como artista e a cultura contemporânea. Esse texto é um exemplo desse tipo de trabalho, e nos oferece a oportunidade de ver como o autor se posiciona a respeito da “rica floresta de música” que é o estilo ambient. O texto original está na coletânea A Year with Swollen Appendices (Londres: Faber & Faber, 1996, p.293-297), livro que reproduz o diário escrito por Eno no ano de 1995 e traz, como apêndices, cartas, palestras, esboços ficcionais e discussões de procedimentos da arte e da crítica escritos por Eno entre os anos 80 e 90. Como há uma distinção relevante no texto entre a noção de “música ambiente” – que Eno toma como sinônimo de “Muzak” – e a proposta de uma alternativa – que Eno intitula “Ambient Music”, decidi manter o termo em Inglês, Ambient. Afinal de contas, esse termo já está estabelecido no uso corrente dos apreciadores, e designa uma abordagem estilística e um nicho de consumo bastante precisos (já ouvi duas pessoas conversando assim: “Que tipo de música essa cara toca?”, “Ah, ele toca ambient, lounge, dub, essas coisas”). O que se produz hoje sob o rótulo de Ambient certamente expande, modifica e questiona algumas idéias presentes no “manifesto” de Eno; um mapeamento das condições de surgimento e das transformações desse tipo de abordagem na produção musical contemporânea foi feito com muito detalhe e cuidado por Mark Prendergast em seu The Ambient Century: From Mahler to Trance, the evolution of sound in the electronic age (New York: Bloomsbury, 2001) – livro que, apropriadamente, traz um prefácio escrito por Brian Eno. Leia mais…