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	<title>Cafetina Eletroacústica &#187; musica indiana</title>
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	<description>música, cinema, poesia, imagem, literatura e as mais variadas interlocuções...</description>
	<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 15:15:07 +0000</pubDate>
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		<title>O que você sabe sobre música indiana? - Parte 2</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 14:07:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>debb</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Por Marcus Wolff
Leia a PARTE 1 clicando aqui.
PARTE 2
A maioria dos pesquisadores afirma que a primeira fase da música indiana começa com o canto védico, iniciado com a chegada dos arianos ao subcontinente. Sendo transmitidas oralmente as tradições religiosas transmitidas pelos chamados “sábios-videntes” (rishis) deram nascimento aos livros chamados de Vedas que contém orações, hinos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Marcus Wolff</p>
<p>Leia a <strong>PARTE 1</strong> <strong><a href="http://www.cafetinaeletroacustica.com/200808/17/musicaindiana1/" target="_self">clicando aqui</a></strong>.</p>
<p><strong>PARTE 2</strong></p>
<p><a href="http://www.cafetinaeletroacustica.com/wp-content/uploads/2008/11/indianos2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-201" title="indianos2" src="http://www.cafetinaeletroacustica.com/wp-content/uploads/2008/11/indianos2.jpg" alt="" width="245" height="245" /></a>A maioria dos pesquisadores afirma que a primeira fase da música indiana começa com o canto védico, iniciado com a chegada dos arianos ao subcontinente. Sendo transmitidas oralmente as tradições religiosas transmitidas pelos chamados “sábios-videntes” (rishis) deram nascimento aos livros chamados de Vedas que contém orações, hinos, fórmulas encantatórias e ritualísticas. Os hinos do Rigveda, o primeiro livro sagrado dos hindus, eram cantados de um modo que as palavras eram entoadas em três “alturas” diferentes, sendo as melodias formadas apenas por três notas de freqüências próximas. Não é possível nesse artigo aprofundar a descrição dos cantos védicos, que parecem ter pouca relação com as tradições de música clássica da Índia de hoje, uma vez que desconheciam o sistema melódico modal composto pelos ragas, bem como o sistema métrico de  talas utilizado nas tradições clássicas de hoje.</p>
<p><span id="more-200"></span><br />
De acordo com o musicólogo indiano B. C. Deva (Indian Music 1990), a música derivada dos cantos védicos, altamente simbólica, baseada em escalas diatônicas descendentes e governada por uma gramática estrita foi chamada de “marga sangita” (música do caminho). Sua função era religiosa e, portanto, não se tolerava qualquer desvio das normas bem precisas estabelecidas pela casta sacerdotal (brâmane). Apesar de toda essa inflexibilidade, Deva aponta o desenvolvimento progressivo de diferentes ramos do canto védico, devido a uma mistura de algumas tribos arianas com as populações nativas de cada região do subcontinente. Pode-se suspeitar que tal processo tenha acompanhado o movimento em direção ao sincretismo religioso, tendo  resultado no surgimento da chamada “deshi sangita” (literalmente música da terra ou da região), menos restrita a regras gramaticais e com finalidades não religiosas, tais como simplesmente agradar os ouvintes. É importante frisar que foi no âmbito dessa música regional e profana que floresceu a concepção dos esquemas melódicos que foram considerados como precursores dos ragas.</p>
<p>Aqui chegamos a um conceito muito importante para quem quer compreender a música indiana de hoje, pois raga é um conceito central da música indiana, sendo algo complexo já que todo raga tem um lado técnico-musical e um lado abstrato/estético. A imagem abstrata é muitas vezes representada em poemas ou em pinturas que procuram demonstrar o espírito intrínseco do raga.  Tecnicamente ragas são estruturas melódicas em que a entoação das notas, bem como suas durações relativas e ordem (sucessividade) são previamente definidas. Suas notas possuem um escala ascendente e outra descendente (nem sempre são iguais). Por isso, a ordem na qual as notas são usadas numa canção clássica é semi-fixa e as notas devem pertencer às escalas ascendente e descendente do raga.</p>
<p>Alguns ragas possuem frases características (pakar) que as tornam facilmente reconhecíveis pelo público indiano; outras possuem notas com ornamentos específicos ou tem registros específicos (mais grave, ou região média ou aguda); todo raga possui ainda notas de sustentação, predominantes que são enfatizadas ao longo da execução. Tudo isso serve para tornar o raga uma matriz sonora facilmente identificável pelo ouvinte conhecedor; além disso, essa matriz serve de fundamento sobre o qual o músico deve improvisar. Há diferentes estilos de improvisação na música hindustani de hoje, sendo alguns improvisos não medidos (sem métrica) chamados alaps; outros improvisos são medidos (bistar) sendo encaixados num ciclo rítmico. Tais formas de improvisar ganharam diferentes coloridos locais, devido aos dialetos musicais estabelecidos pelas “gharanas” (escolas de canto) ou “banis” (escolas de instrumentos).</p>
<p><strong>*A terceira e última parte será publicada na próxima semana.</strong></p>
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		<title>O que você sabe sobre a música indiana? - Parte 1</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 19:27:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>debb</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[aleatórios]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Marcus Wolff

Como compreender a música e as artes na Índia sem considerar suas diferentes matrizes culturais e o choque entre seus povos formadores (drávidas e indo-europeus invasores) e os fatos históricos decorrentes de um processo de dominação cujas marcas estão ainda tão presentes na sociedade e na cultura, a despeito dos esforços de grandes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Marcus Wolff</strong></p>
<p><a title="sreevidhya_vina.JPG" href="http://cafetinaeletroacustica.com.s48107.gridserver.com/wp-content/uploads/2008/08/sreevidhya_vina.jpg"><img src="http://cafetinaeletroacustica.com.s48107.gridserver.com/wp-content/uploads/2008/08/sreevidhya_vina.jpg" alt="sreevidhya_vina.JPG" /></a></p>
<p>Como compreender a música e as artes na Índia sem considerar suas diferentes matrizes culturais e o choque entre seus povos formadores (drávidas e indo-europeus invasores) e os fatos históricos decorrentes de um processo de dominação cujas marcas estão ainda tão presentes na sociedade e na cultura, a despeito dos esforços de grandes líderes como Mahatma Gandhi, Sri Aurobindo e do próprio escritor compositor e poeta Tagore para criarem uma nova nação livre de tais amarras?<span id="more-95"></span></p>
<p>A chegada dos povos arianos ao subcontinente indiano por volta de 1500 a.C. (alguns afirmam 2000 a.C.) transformou completamente a vida social, política e cultural dessa vasta área da Ásia do sul. Impondo sua cultura aos povos dominados, os arianos (considerados indo-europeus) deram início a um processo de sanscritização do subcontinente que envolveu não apenas a filosofia, a língua, a literatura e a religião como também todas as artes. Cumpre destacar que do choque cultural entre esses povos nasceu uma cultura híbrida, que procurou compatibilizar elementos muitas vezes díspares ou ao menos heterogêneos. Todavia, mitos narrando os conflitos entre os deuses revelam o que o poeta e compositor R. Tagore (1861- 1941) percebeu como sendo indícios da tendência dos arianos a manter seu isolamento, alegando sua superioridade também no plano cultural.</p>
<p>No plano social, o sistema de castas pode ser observado como sendo um outro modo através do qual os arianos manifestaram seu desejo de separação, ocupando assim as posições privilegiadas num sistema de exclusão social que conseguiu manter os povos dominados segregados nas castas subalternas até o séc. XX e mesmo após a criação de um Estado indiano independente.</p>
<p>Como compreender a música indiana sem levar em conta a continuidade entre o presente e o passado na cultura e na vida social indiana? Bonnie C. Wade (Music in India: the Classical Traditions. Delhi, 1994) observou que em termos indianos não há lacunas, mas continuidade. O valor atribuído ao passado védico ou aos mitos religiosos transparece quando alguns musicólogos indianos, além dos professores de música, reiteram ainda hoje as origens divinas da música e buscam as bases da teoria musical atual em tratados tão antigos quanto o Natya Shastra atribuído ao sábio Bharata (escrito em algum momento impreciso entre os séculos II a. C e VI d. C.) mesmo quando a prática musical atual já não segue a antiga teoria musical da Antiguidade.</p>
<p>A resistência à mudança cultural e até mesmo ao reconhecimento das rupturas existentes ao longo da história parece ser um traço ainda forte na Índia, que somente no final do séc. XX começou a dar sinais de que o processo de modernização atingiu sua fase final. É bom lembrar que o processo de modernização da Índia, iniciado na década de 1820-30, esbarrou num campo de soberania próprio que o movimento nacionalista respeitou e percebeu como sendo um “domínio interno”, no qual a identidade cultural seria mantida longe do poder da metrópole. Se por um lado essa estratégia permitiu que a criação de uma cultura nacional moderna diferente da ocidental, por outro manteve certas áreas do conhecimento como a filosofia, a historiografia e a própria musicologia bem distantes do racionalismo ocidental.</p>
<p><strong>* Este texto será publicado em 3 partes.</strong></p>
<p>Leia a <strong>PARTE 2 <a href="http://www.cafetinaeletroacustica.com/200811/04/musicaindiana2/" target="_self">clicando aqui</a></strong>.</p>
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